Contrassensos da Inteligência Artificial: Violências Justificadas pela Conciliação
Conteúdo do artigo principal
Resumo
A partir da proliferação de imagens geradas no estilo de animação do Studio Ghibli e de sua ampla repercussão, este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a forma como o debate em torno das limitações éticas da Inteligência Artificial (IA), bem como seus argumentos mais recorrentes, configura barreiras discursivas que reforçam um sistema permeado por múltiplas formas de violência. Parte-se da premissa de que o avanço tecnológico se sustenta na exploração de recursos naturais, na expropriação de dados e na precarização do trabalho humano. Em contraposição a perspectivas conciliatórias, a pesquisa —de caráter bibliográfico e exploratório —busca evidenciar como a narrativa hegemônica, ao privilegiar os fins (resultados, imagens geradas e a noção de progresso), opera de modo a invisibilizar realidades e formas de existência.
Detalhes do artigo
Seção

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
![]()
Revista MEDIACIONES © 2024 pela Corporación Universitaria Minuto de Dios - UNIMINUTO está licenciada sob a Creative Commons BY.
Como Citar
Referências
Beccari, M. (2020). Das coisas ao redor: discurso e visualidade a partir de Foucault. São Paulo : Almedina.
Beiguelman, G. (2021). Políticas da imagem: vigilância e resistência na dadosfera. São Paulo: Ubu Editora.
Beiguelman, G. (2023). Inteligência artificial e as novas políticas das imagens. Revista ZUM, São Paulo. URL: https://revistazum.com.br/colunistas/inteligencia-artificial-e-as-novas-politicas-das-imagens/.
Braga, R. (2012). A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista. São Paulo: Boitempo; USP: Programa de Pós-Graduação em Sociologia.
Crary, J.(2012). Técnicas do observador: visão e modernidade no século XIX. Tradução de Vera Ribeiro. Coordenação editorial e preparação do original: César Benjamin. Direção da coleção: Tadeu Capistrano. Rio de Janeiro: Contraponto.
Crawford, K. (2021). Atlas of AI: Power, Politics, and the Planetary Costs of Artificial Intelligence. New Haven; London: Yale University Press.
Denton, E., Hanna, A., Amironesei, R., Smart, A. & Nicole, H. (2021). On the genealogy of machine learning datasets: A critical history of ImageNet. Big Data & Society, 8(2), 1–14. https://doi.org/10.1177/20539517211035955
Faustino, D. & Lippold, W. (2023). Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2023. 208 p. ISBN 9786557172254
Foscolo, G & Nacif, L. (2024). Entre autômatos e fantasmas: inteligência artificial e crise do trabalho criativo. Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG. 14(31). ISSN: 2238-2046. https://doi.org/10.35699/2238-2046.2024.48375.
Furtado, R. G. & Cunha, S. E. (2024). Inteligência artificial, data centers e colonialismo digital: impactos socioambientais e geopolíticos a partir do Sul Global. Revista Lugar Comum, [s. l.], 20(2). URL: https://revista.ibict.br/liinc/article/view/7272
Gray, M. L. & Suri, S. (2019). Ghost Work: How to Stop Silicon Valley From Building a New Global Underclass. Boston: Houghton Mifflin Harcourt.
Grohmann, R. & Araújo, W. (2021). O chão de fábrica (brasileiro) da inteligência artificial: a produção de dados e o papel da comunicação entre trabalhadores de Appen e Lionbridge. Palabra Clave, 24(3), e2438. DOI: https://doi.org/10.5294/pacla.2021.24.3.8
Gustati, G. D. (2025). Ghibli AI Trend Sparks Debate Over Copyright Violations. Universitas Muhammadiyah Surakarta. URL: https://www.ums.ac.id/en/news/global-pulse/ghibli-ai-trend-sparks-debate-over-copyright-violations
Haraway, D. (1995). Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, 5, p. 7-41. URL: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773.
Holland, O. (2025). Entenda a polêmica envolvendo IA e o Studio Ghibli. CNN Brasil. URL: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/entenda-a-polemica-envolvendo-ia-e-o-studio-ghibli
Instituto Tricontinental De Pesquisa Social. (2024). Os congoleses lutam por sua própria riqueza. Dossiê nº 77. Instituto Tricontinental de Pesquisa Social; Centre Culturel Andrée Blouin; Centre for Research on the Congo-Kinshasa; Likambo Ya Mabele. URL: https://thetricontinental.org/pt-pt/dossie-77-congoleses-lutam-por-sua-propria-riqueza/.
Kin, J & Zeitchik, S. (2025). Is the Studio Ghibli AI trend a bad sign? CBC. URL: https://www.cbc.ca/arts/commotion/is-the-studio-ghibli-ai-trend-a-bad-sign-1.7499865
Lucena, a. (2023). Dois terços da riqueza do mundo são acumulados por 1% da população mundial, diz Oxfam. CartaCapital. URL: https://www.cartacapital.com.br/mundo/dois-tercos-da-riqueza-do-mundo-sao-acumulados-por-1-da-populacao-mundial-diz-oxfam/.
Ludermir, T. B. (2021). Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina: estado atual e tendências. Estudos Avançados, São Paulo, 35(101), p. 85–100. DOI: 10.1590/S0103-40142021.35101.007.
Martins, L. M. (2025). Prompt para gerar imagem do Studio Ghibli: como fazer a 'trend do anime'. TechTudo. URL: https://www.techtudo.com.br/noticias/2025/03/prompt-para-gerar-imagem-do-studio-ghibli-como-fazer-a-trend-do-anime-edsoftwares.ghtml.
Mejía, C. & Patiño, J. (2025). La polémica por la creación de imágenes de Studio Ghibli con inteligencia artificial golpea a los ilustradores mexicanos. El País. URL: https://elpais.com/mexico/2025-04-11/la-polemica-por-la-creacion-de-imagenes-de-studio-ghibli-con-inteligencia-artificial-golpea-a-los-ilustradores-mexicanos.html
Mirzoeff, N. (2016). O direito a olhar. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, 18(4), p. 745-768. DOI: 10.20396/etd.v18i4.8646472.
Moreschi, B., Pereira, G. & Cozman, F.G. (2020). Trabalhadores brasileiros no Amazon Mechanical Turk: sonhos e realidades de trabalhadores fantasmas. Contracampo, Niterói, 39(1), p. 44-64.
Mouffe, C. ( 2015) Quais espaços públicos para práticas de arte crítica? Arte & Ensaios, Rio de Janeiro, 31, p. 181–185.
Murtoff, J. (2024) Potemkin village. Encyclopaedia Britannica. URL: https://www.britannica.com/topic/Potemkin-village.
Portugal, D. B. (2011) O realismo entre as tecnologias da imagem e os regimes de visualidade: fotografia, cinema e a “virada imagética” do século XIX. Discursos Fotográficos, Londrina, 7(11), p. 33-54.
Rocha, C. (2019). O trabalho humano escondido atrás da inteligência artificial. Nexo Jornal. URL:https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/06/18/O-trabalho-humano-escondido-atr%C3%A1s-da-intelig%C3%AAncia-artificial.
Santos, E. (2023) O apetite voraz por energia dos data centers. Jornal da USP, São Paulo. URL:https://jornal.usp.br/articulistas/elaine-santos/o-apetite-voraz-por-energia-dos-data-centers/.
Silva, T. (2022) Racismo algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. São Paulo: Edições Sesc.