Imagens e (in)visibilidades: notas sobre as visualidades da imigração brasileira em Portugal
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Biografia do Autor
Patricia Posch, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Doutoranda em Estudos Culturais na Universidade do Minho, Portugal, e membro do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS). É mestre em Cultura e Comunicação e Bacharel em Comunicação Social. A sua experiência profissional vai desde a consultoria de Marketing e Comunicação e Inovação para a Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa. Nos últimos anos tem desenvolvido investigação acadêmica em Cultura, Comunicação, Memória Social, Migrações e Museus.
Rosa Cabecinhas, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade
Professora do Instituto de Ciências Sociais nas áreas de Psicologia Social, Comunicação Intercultural e Métodos de Investigação. Tem desenvolvido investigação interdisciplinar, tendo coordenado vários projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal) e pela Comissão Europeia sobre diversidade e comunicação intercultural, memória social, representações sociais, identidades sociais, estereótipos e discriminação social.
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Resumo
Os migrantes brasileiros constituem, atualmente, a maior comunidade migrante em Portugal. Após um período de desaceleração desta rota migratória, a partir de meados da segunda década do Século XXI, os dados estatísticos mostram que o número de entradas de migrantes brasileiros documentados em Portugal começou a apresentar uma tendência de crescimento. Acompanhando esse novo fluxo, que já tem sido interpretado como uma terceira ou mesmo quarta vaga do fluxo migratório do Brasil para Portugal, observa-se, paralelamente, um crescente interesse da mídia brasileira e portuguesa em produzir conteúdos audiovisuais nos quais essas migrações e seus sujeitos são representados. É nesse contexto de crescimento da imigração brasileira em Portugal, por um lado; e o aumento do interesse das mídias brasileiras e portuguesas em explorar o fenômeno, por outro, em que se insere o presente trabalho. A partir de pesquisas empíricas anteriores, este trabalho visa oferecer uma reflexão mais abrangente sobre a visualidade dos migrantes e dos processos migratórios. Nesse sentido, inserindo-se em um espaço de interseção disciplinar entre os Estudos Culturais, as Ciências da Comunicação e a Cultura Visual, este artigo discute algumas tendências observadas e que suportam construções da visualidade dos migrantes, como a mudança de agenciamento do discurso visual, a estruturação das imagens segundo os preceitos do visual storytelling e a configuração hiper-realista das imagens.
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